Monday, June 22, 2009

Ser diferente agora é moda

O indie passou a ser moda. E isso já todos sabemos. Mas quão irónico é o indie ser moda quando o próprio conceito implica uma atitude de "do-it-yourself", de independência, de primor pela individualidade? Actualmente a nossa juventude parece atravessar uma crise de identidade, um tal complexo que induz na maioria dos jovens a necessidade de se mostrarem diferentes do amigo do lado. A moda indie veio para ficar, e isso deixa-me um tanto ou quanto aborrecido.
A incosistência do indie ser uma moda largamente dessiminada na nossa sociedade consiste, como expliquei anteriormente, no próprio conceito de indie: As pessoas deixaram de estar preocupadas em ser diferentes para passar a estar preocupadas em exteriorizarem que são diferentes. O que é importante, e o que acho extremamente irritante nesta moda, é a maioria destas personagens pensarem todos de forma igual, mas tentarem todos demonstrar que não o fazem. Passou a ser crucial eu ter algo visível que me distinga do vizinho, do amigo, da mãe, do pai, de toda a gente que está na mesma carruagem do metro que eu.
Outra característica irritante desta triste moda é o diferente ter passado a ser igual. Sim, é isso mesmo, leram bem. Existe hoje em dia o conceito de haver determinadas marcas, produtos, objectos que apesar de usados pelas massas são considerados "indies". Tomemos o exemplo dos all-stars. Há uns anos poucos os usavam, pelo menos não era certamente moda e muito provavelmente quem os usava não era "da cena"; Gradualmente começou a tornar-se uma marca de massas. Hoje em dia são mais os jovens que usam all-stars do que os que não usam, a moda ficou e a fama de ténis indie também, e muitos dos que os usam fazem-no numa atitude de diferenciação e auto apelidam-se de indies e alternativos. A mesma situação ocorreu com os famosos macintosh da apple.
O diferente nunca poderá ser moda
. A moda indie per si nunca poderá ser moda. O que muitos tentam atingir e com tanto afinco exteriorizar é algo que faz parte da personalidade de cada indivíduo: Pensar diferente ou seguir as massas? Ir pela estrada ou por um atalho desconhecido? As duas atitudes têm as suas vantagens e desvantagens. Uma coisa é certa, tentar mostrar que sou diferente não faz de mim uma pessoa diferente. E não queiram pensar que eu me assumo contra todos os que tentam individualizar-se e mostrar-se diferentes, não tenho um dedo a apontar a quem o faz. Tenho sim objecções a fazer a quem se deixa levar por clichés, modas, pelo que é da cena e pelo que não é, e deixam que a atitude de se tentarem mostrar diferentes se sobreponha à suposta necessidade de realmente o serem. Sugiro então que comecemos por identificar o que realmente nos separa do vizinho do lado, muito antes de nos tentarmos mostrar diferentes dele. Porque no fundo, se todos nos preocupamos apenas com exteriorizar que somos diferentes, acabamos por ser todos iguais. Ser diferente nunca poderá ser moda. Mas tentar ser diferente já o é.


Thursday, June 18, 2009

Breve comentário à situação actual referente aos copos de fino

Numa destas ultimas tardes de final de primavera, já com o calor a apertar, tive que como bom português, deslocar-me a uma esplanada para “virar um fino”.

Após o pedido e como não tenho muito que fazer nestes últimos tempos, observei com atenção o copo onde a cerveja vinha e lembrando-me dos copos antigos que o meu avô tem cuidadosamente expostos na prateleira fiquei decepcionado…

Provavelmente, os meus caros leitores nunca pensaram nisto, mas já viram como os copos antigos têm muito mais personalidade que os actuais?

Tanto a nível de design, como no logótipo, os copos antigos batem os recentes por largos números.

Este copo mais recente, parece-me a mim, amorfo, sem sentimentos, com falta de uma identidade que se perdeu no tempo, este não tem uma característica que o destaque, é apenas um recipiente que não nos transmite nada. Serve apenas para o seu propósito, não de uma forma “boa”, mas sim “satisfatória", somente cumpre… Lembra-me um café de cidade, igual a tantos outros, com pessoas fechadas, que não se conhecem e não falam entre si… Parece-me demasiado…banal.

Já o antigo transmite-nos variados sentimentos, através do design sempre actual, do logótipo variado e tipicamente nosso ou através daquela sensação de “pequenez grandiosa” do próprio copo em si. Este ultrapassa a barreira corriqueira do “cumprir”, projectando-se já para uma utilidade com arte. A imagem que este constrói na minha cabeça, recorda-me uma alegre confraternização “à antiga” numa mesa de café, na aldeia ou na praia (ou mesmo na cidade num café de bairro) com o sol de final de tarde a proporcionar a amena cavaqueira, típica de gente feliz e com sentimentos!

Digamos não à escassez de identidade e sentimentos, à frieza do copo actual! Pelo retorno ao copo antigo!

Mas no fim de contas, é apenas um copo…


Zé Manel Pistoleiro