A incosistência do indie ser uma moda largamente dessiminada na nossa sociedade consiste, como expliquei anteriormente, no próprio conceito de indie: As pessoas deixaram de estar preocupadas em ser diferentes para passar a estar preocupadas em exteriorizarem que são diferentes. O que é importante, e o que acho extremamente irritante nesta moda, é a maioria destas personagens pensarem todos de forma igual, mas tentarem todos demonstrar que não o fazem. Passou a ser crucial eu ter algo visível que me distinga do vizinho, do amigo, da mãe, do pai, de toda a gente que está na mesma carruagem do metro que eu.
Outra característica irritante desta triste moda é o diferente ter passado a ser igual. Sim, é isso mesmo, leram bem. Existe hoje em dia o conceito de haver determinadas marcas, produtos, objectos que apesar de usados pelas massas são considerados "indies". Tomemos o exemplo dos all-stars. Há uns anos poucos os usavam, pelo menos não era certamente moda e muito provavelmente quem os usava não era "da cena"; Gradualmente começou a tornar-se uma marca de massas. Hoje em dia são mais os jovens que usam all-stars do que os que não usam, a moda ficou e a fama de ténis indie também, e muitos dos que os usam fazem-no numa atitude de diferenciação e auto apelidam-se de indies e alternativos. A mesma situação ocorreu com os famosos macintosh da apple.
O diferente nunca poderá ser moda. A moda indie per si nunca poderá ser moda. O que muitos tentam atingir e com tanto afinco exteriorizar é algo que faz parte da personalidade de cada indivíduo: Pensar diferente ou seguir as massas? Ir pela estrada ou por um atalho desconhecido? As duas atitudes têm as suas vantagens e desvantagens. Uma coisa é certa, tentar mostrar que sou diferente não faz de mim uma pessoa diferente. E não queiram pensar que eu me assumo contra todos os que tentam individualizar-se e mostrar-se diferentes, não tenho um dedo a apontar a quem o faz. Tenho sim objecções a fazer a quem se deixa levar por clichés, modas, pelo que é da cena e pelo que não é, e deixam que a atitude de se tentarem mostrar diferentes se sobreponha à suposta necessidade de realmente o serem. Sugiro então que comecemos por identificar o que realmente nos separa do vizinho do lado, muito antes de nos tentarmos mostrar diferentes dele. Porque no fundo, se todos nos preocupamos apenas com exteriorizar que somos diferentes, acabamos por ser todos iguais. Ser diferente nunca poderá ser moda. Mas tentar ser diferente já o é.
