Numa destas ultimas tardes de final de primavera, já com o calor a apertar, tive que como bom português, deslocar-me a uma esplanada para “virar um fino”.
Após o pedido e como não tenho muito que fazer nestes últimos tempos, observei com atenção o copo onde a cerveja vinha e lembrando-me dos copos antigos que o meu avô tem cuidadosamente expostos na prateleira fiquei decepcionado…
Provavelmente, os meus caros leitores nunca pensaram nisto, mas já viram como os copos antigos têm muito mais personalidade que os actuais?
Tanto a nível de design, como no logótipo, os copos antigos batem os recentes por largos números.
Este copo mais recente, parece-me a mim, amorfo, sem sentimentos, com falta de uma identidade que se perdeu no tempo, este não tem uma característica que o destaque, é apenas um recipiente que não nos transmite nada. Serve apenas para o seu propósito, não de uma forma “boa”, mas sim “satisfatória", somente cumpre… Lembra-me um café de cidade, igual a tantos outros, com pessoas fechadas, que não se conhecem e não falam entre si… Parece-me demasiado…banal.
Já o antigo transmite-nos variados sentimentos, através do design sempre actual, do logótipo variado e tipicamente nosso ou através daquela sensação de “pequenez grandiosa” do próprio copo em si. Este ultrapassa a barreira corriqueira do “cumprir”, projectando-se já para uma utilidade com arte. A imagem que este constrói na minha cabeça, recorda-me uma alegre confraternização “à antiga” numa mesa de café, na aldeia ou na praia (ou mesmo na cidade num café de bairro) com o sol de final de tarde a proporcionar a amena cavaqueira, típica de gente feliz e com sentimentos!
Digamos não à escassez de identidade e sentimentos, à frieza do copo actual! Pelo retorno ao copo antigo!
Mas no fim de contas, é apenas um copo…
Zé Manel Pistoleiro
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